Capítulo 10 A Luz nas Fendas da Alma O vento noturno trazia o perfume de jasmim e chuva antiga. A cidade parecia suspensa entre o sonho e o esquecimento. As luzes dos postes desenhavam círculos amarelos sobre o calçamento molhado, e, a cada passo, Elias Montgomery sentia o coração pulsar como um tambor distante — não de medo, mas de pressentimento. Emma o esperava à beira do rio Sena, vestida de cinza. Seus cabelos dourados estavam soltos, refletindo o luar como fios de prata viva. Ela parecia mais pálida, mais frágil, quase humana. E, ainda assim, emanava uma força invisível, uma aura que fazia o ar vibrar à sua volta. — Voltei, — disse Elias, aproximando-se devagar. — Eu sabia que voltaria, — respondeu ela, sem olhar para ele. Sua voz parecia o eco de uma canção antiga. — Os homens de fé são previsíveis. Quando acreditam ter uma missão, não descansam até cumpri-la. Elias sorriu com suavidade. — Talvez não seja missão. Talvez seja compaixão. Emma virou-se. Seus olhos, outr...