A Dona da Noite - Capítulo 5

 



A Dona da Noite

Capítulo 5 

O Primeiro Massacre


A noite estava fria, pesada, e a lua cheia iluminava os campos como um palco preparado para a tragédia.

Eu já não era a mesma jovem assustada. Meus passos eram firmes, as armas reluziam como extensão de minha alma quebrada.

No vilarejo ao norte, a nobreza havia enviado uma tropa de vinte soldados para capturar rebeldes. A notícia correu rápido: prenderiam mulheres e crianças suspeitas de apoiarem os ideais revolucionários.

Sorri ao ouvir isso.

A lembrança dos meus pais, assassinados por ordem da aristocracia, queimava em minha memória. Agora era o momento da vingança.


O ataque


Surgi como sombra, atravessando as ruas silenciosas. Ao retornar à forma humana, meus olhos brilhavam como brasas.

Os soldados marchavam em fileira, armados com mosquetes e espadas. Conversavam alto, rindo da missão fácil.

Eu não esperei. Saltei do telhado de uma casa abandonada, caindo sobre o primeiro soldado. O impacto foi brutal: a lâmina atravessou-lhe o pescoço, e o sangue espirrou em jatos.

Antes que os outros reagissem, Eu já girava no ar, lançando duas adagas. Ambas encontraram gargantas.

Dois corpos tombaram, sufocando-se em sangue.

— O que é isso?! — gritou o capitão, tentando organizar as fileiras.

Mas era tarde.

Emma me movia com velocidade impossível, desviando dos tiros de mosquete, cortando braços, rasgando abdômens.

O campo transformou-se em um teatro de gritos e morte.


A dança da espada


Um soldado tentou cravar-me a baioneta. Girei o corpo, segurei a arma pelo cano e a usei contra o próprio dono, atravessando-lhe o estômago.

Outro avançou pelas minhas costas, mas me dissolvi em sombra por um segundo, e reapareci atrás dele. Minha adaga deslizou pela espinha até o coração.

Cada golpe era preciso, cada movimento, uma coreografia de destruição.

O sangue salpicava as paredes de pedra, manchava o chão batido, formava poças onde os corpos tombavam.

Eu sentia o sabor metálico em meus lábios. Sugava e me fortalecia, e em seguida degolava as vítimas para apagar qualquer vestígio da maldição.

Os sobreviventes começaram a recuar, apavorados.

— Demônio! — gritou um deles antes de ter a cabeça arrancada por um único golpe da espada.


O silêncio após a carnificina


Quando o último corpo caiu, o silêncio voltou a reinar.

O chão estava coberto de cadáveres, e a lua refletia-se no lago de sangue.

Eu respirava fundo, os olhos dilatados, o peito erguendo-se em êxtase.

Mas então algo diferente aconteceu.

Eu parei.

Olhei em volta.

Os gritos ainda ecoavam em minha mente. Vinte homens mortos em menos de uma hora.

Meu corpo estava fortalecido, mas minha alma?

Uma sombra fria de dúvida atravessou-me o coração.

“Eles também tinham famílias... filhos... Será que me tornei como aqueles que mataram os meus pais?”

Por um instante, a lâmina pesou em minha mão.

O mentor apareceu, surgindo das trevas com seu olhar de gelo.

— Não pense. Apenas faça. Pensar é fraqueza. Você nasceu agora para caçar, e nada mais.

Hesitei.

Mas então olhei para o céu, vi a lua ainda cheia, e o instinto venceu a consciência.

Cai de joelhos, mergulhando as mãos no sangue fresco, e sussurrei:

— Eu sou a sombra da justiça... a vingança dos esquecidos...

O vento soprou forte, levando o fedor de morte pelo vilarejo.

Naquela noite, a lenda de uma caçadora imortal começava a se espalhar.

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